Em menos de um ano, dois acidentes aéreos envolvendo aviões de grande capacidade de passageiros vitimaram, pelo menos, 350 pessoas.
O do avião da GOL, que se chocou com o jato Legacy em pleno ar, escancarou a fragilidade do controle aéreo brasileiro. Foi preciso acabar com 154 vidas para que a maioria dos brasileiros fosse informada de situações que poucos tinham conhecimento: os equipamentos usados pelos órgãos federais que controlam o espaço aéreo estão sucateados, os controladores de vôo são mal preparados, trabalham em regime de estresse e ganham pouco.
Após alguns meses de investigação, constatou-se o que é óbvio em todo acidente aéreo: a causa foi uma sucessão de falhas humanas e de equipamento.
Como é de se esperar, os profissionais que falharam estão sendo acusados de negligência, imperícia e imprudência. Para os pilotos norte-americanos que comandavam o Legacy estas acusações não são preocupantes. Afinal, eles foram tratados como heróis em seu país. Pior para os dois controladores brasileiros que monitoravam os aviões, de dentro do Departamento de Controle de Espaço Aério - Decea, em condições precárias, de acordo com a associação que representa a categoria. Após as primeiras denúncias de falha, os controladores tomaram a decisão de limitar o número de aviões monitorados por cada profissional. Se antes era cerca de 25, passou a ser 14.
A reação dura da categoria, que chegou a fazer paralisações, foi uma maneira de protestar contra aquilo que eles consideram uma injustiça: terem que assumir sozinhos ônus do acidente.
E em relação à incapacidade dos radares cobrirem toda a extensão do território brasileiro? Fato já admitido pelas autoridades. Quem vai se responsabilizar por esta falha? Quem vai investigar com isenção a acusação de que o softweare usado nos equipamentos não é confiável?
Depois do acidente da GOL, algumas coisas mudaram neste país. O tempo de espera para fazer um check-in nos aeroportos desafia a paciência dos passageiros, a incerteza do embarque revela o desrespeito ao consumidor, a falta de informações nos momentos críticos leva pessoas ao desespero.
Como é de costume, criou-se um nome para a crise: "apagão aéreo". À reboque, criou-se a CPI do Apagão Aéreo. O resultado foi o de sempre: os partidos de oposição acusam o governo de incompetência e o governo se defende. Enquanto isto, ministros fazem comentários ultrajantes, o presidente da república cobra soluções e o Ministério da Defesa, a Aeronáutica, a Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero não conseguem se entender.
Enquanto a tragédia do vôo 1907 da GOL estava sendo usada para se fazer "políticagem", outro acidente ocorreu e já está sendo considerado o pior na história da aviação comercial brasileira. Um avião da TAM saiu da pista do aeroporto de Congonhas, atravessou uma avenida e explodiu ao atingir um prédio da própria companhia aeréa. Ainda não se tem o número exato de vítimas fatais, mas, beira 200 pessoas.
Este acidente evidencia a pressão exercida pelas empresas de aviação, sobre o governo, para manter o Aeroporto de Congonhas em plena atividade. Fato comprovado através do investimento exorbitante na reforma do saguão e de uma das pistas do aeroporto, feito pela Infraero.
Ou seja, a definição sobre a utilização do Aeroporto de Congonhas tem como parâmetro os interesses econômicos. Não precisa muita perspicácia para perceber que os próprios usuários do transporte aéreo brasileiro optam pelo conforto de embarcarem e desembarcarem próximo ao centro da cidade, em detrimento da segurança. Não é necessário ser um especialista para perceber que o funcionamento de Congonhas põe em risco os passageiros e a população que vive em torno do local.
Só resta questionar, quando será resolvido o "apagão aéreo" brasileiro? De quem é a culpa? Haverá punições? O que mudará? Vai melhorar? Quem sabe as CPIs do Congresso Nacional possam apontar o caminho...
Se levarmos em conta o trabalho realizado pelos parlamentares, nas comissões que investigaram os casos de corrupção envolvendo membros da Câmara e do Senado, acho melhor viajarmos de carro nas próximas férias.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
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